11/02/2014

Palavras ao vento - Saudade

                                                                        Foto: We Heart It

"Mas eu bebi demais. Enchi a cara e o fígado. Enchi a boca para falar a verdade. Enchi a cara. Bebi mais que deveria, mais do que podia. Mas eu fiz.
Fui carregada para casa. Me deram banho, tiraram minhas roupas, esconderam meus cigarros, tomaram banho, - acho que vomitei em alguém. Fizeram café, trocaram a roupa de cama. Café forte. Me colocaram na cama, me deram algum remédio para a futura dor, jogaram as cobertas por cima de mim, alguém deitou ao meu lado e fez carinho na minha cabeça. Eu queria ficar sozinha, do meu péssimo estar ninguém precisava saber.
Meus olhos não queriam se fechar, mas minha mente queria. Eu só pensava em me livrar do conflito “mente e olhos”.
Lembrei, resmunguei que precisava escovar os dentes. Me levantaram, me ajudaram, me jogaram na cama outra vez, atiraram as cobertas por cima de mim. Eu procurava algum tecido no meu corpo, mas não havia. Nem camisa, nem short. Eu pensei em ficar preocupada, mas da minha boca não saia nada.
Consegui então perguntar quem estava comigo, querendo me desculpar, achando que fosse minha mãe e que eu ouviria bronca pela manhã. Mas era uma voz doce e rouca. Notavelmente estranha e desconhecida.
- Você bebeu muito hoje
- Eu bebi muito a semana inteira. - Disse sonolenta, fazia um grande esforço para responder algo util.
- O que você bebeu durante a semana inteira?
Virei-me para o corpo ao meu lado. Ele não se aproveitara (eu acho). Estava de roupa e parecia preocupado, porém, não consegui identifica-lo. Fiz pausa, respirei fundo e fiz um movimento com as mãos, como se fosse tirar a voz da garganta com os punhos. Lembrei que ele me perguntara algo. Respondi-lhe:
- Saudade."


Texto escrito por Julia Beatriz, 15 anos.

Espero que tenham gostado, e até o próximo post.

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