18/09/2014

Palavras ao Vento: Cara e coroa, existem os dois lados da moeda.


Coroa: Ele terminou com ela, largou, deixou de canto, simplesmente esqueceu. Ela chorou, esperneou, fez pirraça, de verdade. No início, não queria comer, nem dormir, ou muito menos ir à escola. Se viu obrigada, a em uma segunda-feira chuvosa ser arrastada para pelo menos fazer presença. A chuva era para disfarçar suas lágrimas que não conseguia esconder. Não havia dormido nada na noite anterior, isso dava para notar em suas olheiras. Por mais que havia passado um corretivo tentando disfarçar, mas as marcas permaneciam ali. Outras marcas permanecerão para sempre. Tem coisas que a vida dá um jeitinho de cicatrizar, ou fazer pelo menos parar de sangrar. As vezes não dá, foi aí que ela teve uma hemorragia de saudade. A saudade também nunca lhe abandonará, a falta que ele lhe faz nos momentos tristes, nas tardes de domingo, e na companhia do cinema sábado a noite. Porém, ela resolveu amadurecer, ser adulta, começar a ver a vida com outros olhos. De mulher, não de menina. Pôs seu salto alto e pela primeira vez na vida sentiu-se livre, sentiu-se desejada. Partiu em busca de um lugar para se divertir, foi na balada mais animada da cidade. Com sua sainha curta, estonteava todos os garotos, todos a queriam. Mas agora ela não queria ninguém. Em seus pensamentos só existia a imagem dele, e mais uma vez, ela se viu sem rumo. Pensou que talvez fosse errado se divertir, voltou para casa, decepcionada. Deitou em seu travesseiro, e as lágrimas rolaram. Dessa vez, sentiu ódio. Ódio, raiva, rancor. De estar procurando algo em um lugar que não devia. Estar procurando o amor no lugar errado, na hora errada, no momento errado. O amor acontece aos poucos, não se deve procurar. Nesse dia, ela aprendeu a lição. Mas amigo, a ser mulher ela aprendeu e isso não tem como desaprender.



Cara: Ele terminou com ela. Não aguentava mais seus chiliques de ciume e as crises de chororô. As crises infantis, como ele dizia. Cansou-se de ter que aguentar a mesma pessoa, todos os dias. Cansou-se dos beijos, e dos abraços. Dos carinhos, e tudo que ela lhe podia oferecer. Era tudo demais para ele, que sempre esteve acostumado com o nada. Ela era demais para ele, e todo aquele carinho só o sufocava ao invés de lhe trazer segurança. Então ele desistiu. Decidiu procurar em outro lugar, o que já não estava recebendo ali. Ou melhor, o que jamais iria receber ali. Apesar de tudo, sentia que ela também não estava feliz com ele. Dava para perceber, dava para notar a tristeza no olhar dela todas as vezes que falavam sobre o futuro. Ela não estava preparada para assumir os compromissos de uma vida a dois, ele também não. Ele entendia que os planos dela eram maiores, eram lindos. Eles prometiam coisas sem pensar nas consequências. Mas elas vieram, elas sempre vem. Ele era sonhador, mas pé no chão, e não aturava o jeito dela de se segurar com base nas nuvens. Que base tem as nuvens, me diz? Ele pensava demais, ela de menos. Ele era seguro demais, e ela insegura demais. Talvez fosse melhor deixar a vida se encarregar do destino. Ela precisava amadurecer, e ele não entendia como poderia ajudá-la. Então decidiu que a melhor forma, era se afastando, deixando o tempo agir. Realmente, foi a melhor forma. Para ambos perceberem que um não completa o outro. 


Ambos concluíram o clichê real. Ninguém é a metade de ninguém. Somos inteiros, e temos que ser felizes sozinhos. Não mantenha seu alicerce em uma viga que é suspeita e pode cair a qualquer momento. Construa você mesmo suas âncoras, seu porto seguro. E que me desculpe o criador da frase: "Ninguém é feliz sozinho". Pois a felicidade é universal. E não vem do outro. Não deseje ter felicidade somente com outro alguém. Seja a própria felicidade. Seja alguém melhor. Seja alguém amável, respeitável. Seja essa pessoa que todos querem ao redor. E aí sim, você será feliz.

Os dois lados da moeda, podem até ser diferentes. Mas ambos são da mesma moeda. Se jogada várias vezes, existe probabilidades que supõem qual lado será o que ficará em cima. Mas se parada em pé, ambos os lados conseguem ver a luz refletir. Todos tem uma chance de ser feliz. Só basta querer se dar a chance.

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